Escrever é fácil. Começa-se com uma letra maiúscula e termina-se com um ponto final. No meio colocam-se ideias.

– Pablo Neruda

E quando essas ideias não chegam e nos vemos perante um bloqueio criativo, o que se faz?

Sim, porque o bloqueio criativo não é um exclusivo dos artistas. Também tu, que crias conteúdos para a tua marca, podes enfrentar este bloqueio a determinada altura do teu negócio.

Por isso, se andas a adiar a escrita de conteúdos para a tua marca – e se isso é importante para ti, importa perceber as razões pelas quais isso está a acontecer. Só percebendo isso é que vais conseguir mudar o estado atual das coisas.

Neste artigo, trago-te 7 razões que podem estar na base do teu bloqueio criativo e apresento-te algumas estratégias que podes começar a aplicar já hoje para (re)começares a escrever para a tua marca.

(Preferes ouvir em vez de ler?)

Olhar para uma folha em branco pode ser assustador, sobretudo para quem está a dar os primeiros passos na escrita de conteúdos. O bloqueio criativo chega só de pensarmos que temos de escrever algo que faça sentido, que seja útil e que crie um impacto positivo no leitor.

Mas a folha em branco não é a culpada. Ela é só uma porta aberta para infinitas possibilidades – o que, por sua vez, pode ser ainda mais assustador, pois há estudos que demonstram que quando temos muitas opções, o processo de escolha torna-se ainda mais difícil.

Na verdade, há vários motivos que te podem estar a impedir de começares a escrever ou, então, de seres regular na tua produção de conteúdos.

Daqui para a frente, enquanto avanças na leitura, peço-te que tenhas isto em mente: há alguém a precisar de ouvir aquilo que tens para partilhar. Já pensaste naquilo que podias estar a ensinar a essas pessoas? Ao manteres-te quieta, sem partilhares o que sabes, estás a privar alguém de crescer e aprender contigo. Todos temos algo para contar e ensinar e tu não és exceção.

7 Razões para o bloqueio criativo na escrita de conteúdos para negócios

1. Perfecionismo

Gostas que aquilo que fazes seja bem feito. Muito bem feito. Valorizas a excelência. Queres ser reconhecida por isso. Para mim, isto também é importante. Porém, excelência e perfeição são coisas muito diferentes.

O perfecionismo, na verdade, está relacionado com o desejo de controlarmos, de evitarmos a falha, a culpa, o julgamento e a vergonha.

Quando queremos fazer perfeito – e nos impedimos até de começar aquilo que, aos nossos olhos, não irá ficar perfeito – estamos simplesmente a cair na armadilha de acharmos que isso nos vai salvar do embaraço e da rejeição.

Porém, o que acaba por acontecer, de facto, é ficarmos frustradas, porque paralisamos e não avançamos, deixando cair por terra objetivos e sonhos.

Às vezes, nem chegamos a começar. Desistimos antes de começar e, com isso, tiramos aos outros a oportunidade de aprenderem connosco e com as nossas experiências, porque eu acredito que todos temos algo para partilhar e ensinar.

É assim, através da partilha das nossas vivências e aprendizagens, que nos podemos desenvolver e crescer.

Mas, então, o que podes fazer quando tomas consciência de que o perfecionismo está a levar a melhor?

Aqui ficam algumas sugestões:

  • Escreve livremente sobre isso – o que te paralisa? De que formas se manifesta o teu perfecionismo?
  • Faz uma lista com os parâmetros que, para ti, correspondem a um conteúdo bom o suficiente. Por exemplo: quantas palavras precisa de ter o teu texto? Quanto tempo vais usar na pesquisa?. Tenta ser o mais específica possível e estabelece um prazo para cada fase (pesquisa e estrutura, rascunho, reescrita e edição). Quando o prazo final terminar, publica como está.
  • Cria um processo de escrita, com um passo a passo.

Material de papelaria de uma empreendedora que quer acabar com o bloqueio criativo: um caderno para registo de ideias, clips e um boneco zebra.

2. Síndrome do impostor

A síndrome do impostor é outro motivo pelo qual muitas pessoas se veem perante um bloqueio criativo e não partilham aquilo que sabem. Às vezes, sobretudo no início dos nossos projetos, pensamos que aquilo que conseguimos se deve apenas à sorte. Atribuímos as nossas conquistas a um fator que não depende de nós em vez de as atribuirmos às nossas competências ou ao nosso trabalho.

Isto faz com que entremos numa espiral de autodesvalorização que, por sua vez, vai minar a nossa autoestima e a nossa autoconfiança, promovendo a autossabotagem.

“Quem sou eu para vir dar a minha opinião sobre este tema?” ou “Sou só mais uma a falar sobre isto, porque é que alguém vai querer saber o que eu tenho para dizer?” são alguns dos pensamentos que te podem passar pela cabeça se estiveres a enfrentar este bloqueio.

Se te identificas com estas situações, estas são algumas das coisas que podes fazer para quebrar o ciclo:

  • Evita comparar-te com os outros e concentra-te naquilo que já és e já tens – quanto melhor conheceres os teus pontos fortes e aquilo que torna a tua marca única, mais fácil será;
  • Aceita a tua imperfeição (se deres os passos que te sugeri acima, já estás no bom caminho);
  • Faz uma lista das tuas conquistas – podes recorrer a mensagens de ex-clientes ou outros momentos em que tenham elogiado o teu trabalho – e celebra cada pequena vitória.

3. Consumo excessivo de conteúdo

Sentes-te perdida no meio de tudo o que lês e vês nas redes sociais, nos blogs ou no youtube? Se sim, não é de admirar que te vejas perante um bloqueio criativo.

Com tanta informação por aí, é muito fácil cairmos no lugar de consumidora quando nos devíamos colocar na posição de criadora.

Afinal, quanto mais conteúdo consomes dentro da tua área de atuação, menos achas que o que tens para partilhar é relevante.

Contudo, do que te estás a esquecer é que o teu cliente ideal, provavelmente, não consome exatamente o mesmo conteúdo do que tu.

Por isso, uma das melhores coisas que podes fazer por ti é parares de consumir conteúdo dos outros e olhares para o teu próprio conteúdo com um olhar renovado, carinhoso e construtivo.

É que movimento e ação são coisas diferentes.

Ou seja, quando consomes conteúdo estás em movimento. Quando aplicas esse conteúdo (ou, no mínimo, transmites o que aprendeste a outra pessoa) entras em ação.

Quando fazes um curso, estás em movimento.
Quando aplicas o que aprendeste no curso, entras em ação.

Quando lês um livro ou procuras inspiração, estás em movimento.
Quando pões em prática o que leste ou crias algo a partir da inspiração que recolheste, entras em ação.

Ambos os conceitos são importantes, mas cada um tem o seu momento.

E é a ação que te vai ajudar a saíres desse bloqueio criativo em que te encontras.

4. Falta de um plano estratégico

Sentares-te perante uma folha em branco sem teres ideia daquilo que vais escrever é, por si só, um fator promotor de bloqueio. Por norma, ficarmos perante algo que nos dá total liberdade, por incrível que pareça, torna tudo mais difícil, sobretudo se estás a começar ou se já não escreves há muito tempo.

Então, não te sentes para escrever para a tua marca sem teres um tópico bem definido. Reserva 30 minutos por mês para fazeres o planeamento dos teus conteúdos com base no teu planeamento estratégico. Com opções específicas à tua frente, será mais fácil fazeres uma escolha e começares a escrever.

E, se não sabes como começar a gerar ideias para os teus conteúdos, há algumas técnicas simples que te ajudam nessa tarefa. No meu Programa de Mentoria de Escrita para Negócios, fazemos isto juntas.

Mulher empreendedora escreve conteúdos enquanto ouve música na tentativa de acabar com o seu bloqueio criativo.

5. Ter um objetivo muito ambicioso (muitas palavras, conteúdo muito aprofundado…)

Outra razão que pode estar a contribuir para o teu bloqueio criativo é teres um objetivo muito ambicioso para a tua escrita de conteúdos.

Querer logo escrever um texto com 1000 palavras, um ebook completo ou toda a tua homepage pode ser assustador. Não admira que adies uma tarefa assim!

Baixa a fasquia. Começa pequeno.

Nas redes sociais, partilha peças de conteúdo mais curtas. Está tudo bem se só conseguires escrever uma frase por dia. Porque não?

Começa com uma dica por semana, por exemplo. Tenho a certeza de que tens uma dica por semana para partilhar com quem te acompanha. Foi exatamente assim que eu criei 52 Dicas de Escrita para Negócios na minha conta de InstagramO importante é pores a mão em movimento e começares a partilhar. Depois, à medida que o processo se vai tornando mais natural, vais aumentando o número de palavras e desenvolvendo os teus tópicos um pouco mais.

6. Comparação

Este motivo para o teu bloqueio criativo está relacionado com os motivos n.º 2 e 3.

A comparação é inata em nós. Desde crianças que nos comparamos com os outros como forma de evoluirmos e termos referências sobre o que é bom ou mau. Começamos com os nossos pais e, depois, passamos para os nossos pares, professores, colegas, chefias… O nosso objetivo ao fazermos comparações? Fazer boas escolhas – é isso que nós queremos.

Mas o problema surge quando essa comparação traz sofrimento e nos bloqueia. E isto acontece, sobretudo, quando não temos plena confiança nas nossas capacidades (aqui está, outra vez, a síndrome do impostor) e nos expomos a muito conteúdo.

Quando o fazemos, começamos a pensar que, afinal, não temos grande coisa a acrescentar ao que já é feito por aí, que o que sabemos não é suficiente para escrevermos conteúdo de valor.

Então, se é isto que sentes, vou-te pedir que pares já. Respira fundo e continua a ler.

A tua voz é única. E ela resulta da tua perspetiva sobre um determinado tema que, por sua vez, advém da tua experiência, das tuas vivências, dos teus valores e da forma como encaras o mundo.

Por isso, é sobre isso que deves escrever. É desse teu ponto de vista único que deve partir a tua produção de conteúdos – primeiro, na geração de ideias e, depois, na escrita. Por exemplo, uma citação, para mim, tem um significado e, para ti, aplicada ao teu contexto, pode ter outro. Em mim, desperta determinadas emoções, em ti outras.

Agora que isto ficou claro, o que podes fazer na prática para evitar que a comparação contribua para o teu bloqueio criativo?

  • Faz uma limpeza às tuas contas nas redes sociais – silencia ou deixa mesmo de seguir pessoas que te causam sentimentos de inferioridade. Tens esse direito. És tu que controlas o que queres ver. És tu que decides o que queres deixar entrar na tua vida e quanto mais consciente fores na forma como consomes conteúdo, mais fácil será perceberes o que te acrescenta realmente e o que não.
  • Sê ativa na busca por fontes de inspiração. Estabelece blocos de tempo específicos para isso. No meu Programa de Mentoria de Escrita para Negócios, chamo a estes momentos “encontros com a criatividade”.

Cadernos, lápis e telemóvel de uma empreendedora que quer acabar com o seu bloqueio criativo na escrita de conteúdos.

7. Escrever e editar em simultâneo

Este motivo, além de te impedir de começar, impede-te ainda de seres autêntica e leva-te a investires mais tempo na tua escrita de conteúdos do que seria necessário.

Por isso, se o tempo que investes na escrita é um fator sensível para ti, evita escrever e editar em simultâneo para escreveres conteúdo de qualidade em menos tempo.

É que o nosso cérebro trabalha de forma diferente quando estamos a escrever e quando estamos a editar ou a rever.

No momento da escrita, queremos estar em estado de flow (ou estado de fluxo, se quiseres em português, mas não soa tão poético…). Ou seja, queremos que a escrita flua. Quando escrevemos em estado de flow, estamos focadas, concentradas, produtivas, com uma sensação de bem-estar geral, sem estarmos preocupadas se o que estamos a escrever está a ficar bom ou não. Nesta altura, o nosso objetivo é escrever, pôr as palavras no papel, sem filtro.

Depois desta fase, já podes trabalhar com o teu crítico em estado de alerta. E é assim, neste modo, que devemos editar.

Fazer as duas coisas ao mesmo tempo bloqueia a nossa criatividade e impede-nos de desenvolvermos as nossas ideias.

Por isso, escreve primeiro, faz uma pausa, e edita depois.

Concluindo…

Ainda que a escrita de conteúdos para a tua marca (seja para as redes sociais, para o teu blog, para um ebook, para uma newsletter ou até para o teu site) seja importante para o crescimento do teu negócio, se queres acabar com o teu bloqueio criativo, é preciso que te lembres de que não estás a criar algo imutável. Nada te impede de, passado um tempo, voltares ao conteúdo e alterares uma coisa ou outra que, entretanto, viste que podes melhorar.

Por isso:

  • Cria um hábito de escrita livre que não tens de mostrar a ninguém;
  • Foca-te em escrever em vez de te preocupares com a forma como os outros vão receber o que tu escreves;
  • Relembra todas as tuas conquistas e faz uma lista daquilo que gostavas de partilhar com quem te acompanha;
  • Planeia o que gostavas de ver acontecer no teu negócio;
  • Estabelece objetivos mínimos, fáceis de cumprir no teu dia a dia;
  • Sê consciente na tua utilização das redes sociais e na busca por inspiração;
  • Escreve primeiro e edita depois.

Agora, diz-me, qual destas razões te está a bloquear?

E, já sabes, se quiseres ajuda neste processo, para que a tua jornada se torne mais leve, eu estou por aqui, à distância de um email.